Carvalhos plantados na Fóia assinalam compromisso ambiental da Volta ao Algarve

A manhã da segunda etapa da Volta ao Algarve ficou marcada por um gesto simbólico, mas carregado de significado: a plantação de cinco carvalhos-de-Monchique no Alto da Fóia, precisamente no dia em que a corrida volta a terminar no ponto mais alto do Algarve.

A iniciativa foi promovida pela Federação Portuguesa de Ciclismo, em parceria com o GEOTA, no âmbito do projeto Renature Monchique, que desde 2019 trabalha na recuperação ecológica da serra após o incêndio de 2018.

Participaram na ação o Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, o Presidente do GEOTA, Américo Ferreira, o Presidente da Região de Turismo do Algarve, André Gomes, o Presidente da Câmara Municipal de Monchique, Paulo Alves, e o Presidente da Associação de Ciclismo do Algarve, Ricardo Rodrigues.

“Um pequeno grande contributo”

“Estamos em Monchique desde 2019 com este projeto de reflorestação. Este é um pequeno gesto. Mas é com a soma destes pequenos gestos que se conseguem grandes resultados”, afirmou Américo Ferreira, recordando que o GEOTA assinala 45 anos de atividade e tem atualmente três projetos de reflorestação em curso, na Serra da Estrela, no Pinhal de Leiria e em Monchique. O responsável adiantou ainda que o objetivo de atingir as 600 mil árvores plantadas será alcançado já no final de março.

Cândido Barbosa sublinhou a ligação natural entre ciclismo e sustentabilidade. “O ciclismo é uma modalidade diferente, com preocupações ecológicas e cada vez mais atenta à sustentabilidade. Promove hábitos saudáveis e tem uma relação muito próxima com os territórios”, referiu, reforçando a importância de comunicar estas iniciativas como forma de sensibilizar populações e outras instituições.

Para o Presidente da Câmara Municipal de Monchique, Paulo Alves, o carvalho-de-Monchique assume um valor simbólico particular. “Gostamos de nos associar a boas ideias e bons projetos. Esta parceria com o GEOTA tem dado excelentes resultados na conservação de uma espécie em risco. O carvalho-de-Monchique é um símbolo da nossa serra”, destacou, expressando o desejo de que o momento contribua para dar maior visibilidade ao projeto Renature Monchique.

Já André Gomes destacou a dimensão colaborativa da iniciativa. O Presidente da Região de Turismo do Algarve apontou como “grande virtude” do projeto a capacidade de intervir no território através da sinergia entre entidades públicas e privadas. “Temos aqui dois ex-líbris da região: a Serra de Monchique e a Volta ao Algarve. É fundamental promover o nosso território também numa perspetiva sustentável.”

Recuperar a serra, envolver a comunidade

O projeto Renature Monchique nasceu na sequência do incêndio de 2018, que devastou cerca de 28 mil hectares da serra. Desde 2019, já foram intervencionados 1.585 hectares e plantadas 580 mil árvores autóctones.

Desenvolvido através de uma parceria entre o GEOTA, a Ryanair, a Região de Turismo do Algarve, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e o Município de Monchique, o projeto aposta na recuperação dos habitats, no reforço da resiliência às alterações climáticas e na colaboração direta com proprietários locais.

Num dia em que o pelotão volta a enfrentar a mítica subida à Fóia, a plantação destes cinco carvalhos simbolizou a ligação entre o desporto e o território — uma mensagem de que cada etapa também pode deixar raízes no futuro.